Bases para a violência nas escolas.
A
luta pela identidade dos jovens, a formação do seu próprio ser, muitas vezes
transcende a consciência e a forma de
interpretar a realidade da sociedade à qual estão vivendo. Um mundo, o qual é
descrito como contemporâneo, onde a imagem prevalece sobre o indivíduo.
Bombardeados diariamente com imagens e textos nada explicáveis sobre a
realidade, e sim, a procura da venda e do lucro em primeiro lugar. A
socialização constante do ser humano está baseada em imagens fúteis e dizeres
pobres em cultura. Neste mundo estão nossos jovens, que deveriam estar se
socializando como seres humanos e não como meros consumidores e reprodutores do
mundo ditado pelos produtores da nova civilização. Ditando regras e manias às
quais todos devem seguir para então não serem ignorados na sociedade. Regras
estabelecidas para manter, principalmente os jovens em rédeas curtas, e com
isso, ocorre a nova socialização, não com bases culturais históricas, de
geração à geração, mas sim baseado no hoje, imediato e lucrativo. Essa nova
forma de sociedade pode ser comprovado como algo que vem de cima, como diz
COSTA:
“ ...esse
conjunto complexo de regras e preceitos compõem uma forma de ser que está
relacionada à posição social elevada de que desfrutam certos estratos sociais
como a corte europeia na época das monarquias absolutas.”
Os
padrões sócias à séculos são estabelecidos pelas elites, independente da
localização geográfica e cultural da sociedade à ser requerida. Neste contexto
e formação, as crianças e jovens contemporâneas estão inseridas. Perdidas e ao
mesmo tempo tornando-se compulsivas, doentes para acompanharem os padrões
estabelecidos. Muitas delas não conseguem viver a sua própria vida, vivem
conforme o modelo estabelecido.
Conflitos de identidade surgem e uma grave moléstia está pareando sobre a
juventude deste novo século. Ainda
COSTA, comenta que;
“Assim, por mais que certos padrões culturais
vigentes gozem de certa unanimidade, há no interior da sociedade forças
conflitantes e antagônicas que expressam essa fissura e dissidência, embora inúmeros recursos sejam
usados para garantir a integração da sociedade.”
Realmente
muitos recursos estão sendo elaborados para garantir a socialização das
pessoas, mas que classe social estabelece estas novas formas. Principalmente no
que podemos chamar atualmente de núcleo de socialização que é a escola. Quem
cria as formas da educação, as regras e métodos educacionais? Os professores
são ouvidos e será que os pais podem falar e opinar, e os alunos, onde ficam
nesse contexto? Alem de estarem em conflito consigo mesmos, lutam para se auto
afirmarem como seres humanos em desenvolvimento, precisam ainda estabelecer o
certo em um mundo contrariado pelos conceitos de lógica cultural e histórica.
Tudo que veem é verdade mas que transcende a própria realidade. Precisam provar
aos seus colegas que são melhores para conseguirem “sobreviver”, e ai começam
os conflitos entre a própria geração. Neste meio estão os professores de certa
forma perdidos em meio a imagem e a informação “relâmpago”, mostra tudo e
informa pouco. Visto atualmente por muitos como um simples conservador da ordem
e não mais como detentor do saber. Esse é o educador, ao meio do caos sobrevive
com seu trabalhos, conflitos com a própria profissão e muitas vezes com a nova
geração que estar por vir. Como dizia ALVES;
“Mas professores são habitantes de um mundo
diferente, onde o educador pouco importa, pois o que interessa é um crédito
cultural que o aluno adquire numa disciplina identificada por uma sigla, sendo
que, para fins institucionais. Por isto mesmo professores são entidades
descartáveis, da mesma forma como há canetas descartáveis, coadores de café
descartáveis, copinhos plásticos de café descartáveis.”
Assim
percebe-se que há uma diferença gritante entre o mundo dos alunos, professores
e da elite social à qual estabelece a forma de aprendizagem e de viver nesta
contemporâniedade. Pode-se então ressaltar que muitos conflitos, ou melhor,
brigas entre grupos, tribos urbanas, são desenvolvidos pela própria sociedade
que prega a união. O consumo atual não está preocupado em estabelecer uma união
global, mas sim estabelecer formas de lucrar cada vez mais, o chamado
capitalismo selvagem, realmente existe, ele está ai, todos os dias na vida de
jovens e educadores. É essa forma de vida que comete a loucura da diferença e
da exaustão de profissionais da educação, aqueles que sonham com uma
socialização mais justa e tranquila para todos. Em meio a isso estão os pais
que muito cedo delegam aos seus filhos a função de se auto governarem, não por
princípios mas na maioria das vezes por necessidades, tanto de trabalho como
financeiras. Estes adolescentes buscam então, em seus amigos uma forma de viver
e de agir, comportamental e de existência. Firmam-se seres muitas vezes
transgressores e violentos, por
defrontarem o saber e a convivência pacífica. Como consta os dizeres de
CONSTANTINI;
“ Atualmente os pais
confiam muito cedo seus filhos adolescentes ao grupo de colegas. Os pais que
trabalham delegam funções demais às instituições parafamiliares. Aos colegas
dos filhos que frequentam a mesma escola pediram para que se tornassem amigos do seu filho e fizessem
companhia a eles durante o dia. Assim as crianças crescem juntas, muito próximas,
habituadas a fazer companhia e se consolar umas às outras e a compartilhar a
alegria de seu crescimento e as saudades da família. Muito cedo se habituam a
esperar do grupo de amigos o consolo para sua tristeza e a organização de seu
dia, esse longo tempo em que ficam separados dos pais. Então, quando se tornam
adolescentes, continuam a fazer isso: para eles é natural pensar que, ao se
encontrar com seus colegas, a primeira coisa a fazer é inventar uma brincadeira para afastar a solidão, a
tristeza e o tédio. Acontece, porém, que, ao crescerem, a tristeza e o tédio
aumentam: por isso o grupo deve inventar algo novo (ação ou substância),
envolvente, estupefaciente.”
Neste
conflito de interesses de jovens e adolescentes se encontra toda a sociedade,
muitas vezes perdida e farta de tentar comprovar a sabedoria da própria
espécie. Conflitos existentes e
provocados pelo próprio modelo de vida estabelecido por cada indivíduo vivente
na sociedade contemporânea, alienadora e desenvolvedora de formas vivas de existência.
PETERS, Moacir.