segunda-feira, 16 de julho de 2012


Bases para a violência nas escolas. 

A luta pela identidade dos jovens, a formação do seu próprio ser, muitas vezes transcende a  consciência e a forma de interpretar a realidade da sociedade à qual estão vivendo. Um mundo, o qual é descrito como contemporâneo, onde a imagem prevalece sobre o indivíduo. Bombardeados diariamente com imagens e textos nada explicáveis sobre a realidade, e sim, a procura da venda e do lucro em primeiro lugar. A socialização constante do ser humano está baseada em imagens fúteis e dizeres pobres em cultura. Neste mundo estão nossos jovens, que deveriam estar se socializando como seres humanos e não como meros consumidores e reprodutores do mundo ditado pelos produtores da nova civilização. Ditando regras e manias às quais todos devem seguir para então não serem ignorados na sociedade. Regras estabelecidas para manter, principalmente os jovens em rédeas curtas, e com isso, ocorre a nova socialização, não com bases culturais históricas, de geração à geração, mas sim baseado no hoje, imediato e lucrativo. Essa nova forma de sociedade pode ser comprovado como algo que vem de cima, como diz COSTA:
 “ ...esse conjunto complexo de regras e preceitos compõem uma forma de ser que está relacionada à posição social elevada de que desfrutam certos estratos sociais como a corte europeia na época das monarquias absolutas.”  
Os padrões sócias à séculos são estabelecidos pelas elites, independente da localização geográfica e cultural da sociedade à ser requerida. Neste contexto e formação, as crianças e jovens contemporâneas estão inseridas. Perdidas e ao mesmo tempo tornando-se compulsivas, doentes para acompanharem os padrões estabelecidos. Muitas delas não conseguem viver a sua própria vida, vivem conforme o  modelo estabelecido. Conflitos de identidade surgem e uma grave moléstia está pareando sobre a juventude deste novo século.  Ainda COSTA, comenta que;
Assim, por mais que certos padrões culturais vigentes gozem de certa unanimidade, há no interior da sociedade forças conflitantes e antagônicas que expressam essa fissura  e dissidência, embora inúmeros recursos sejam usados para garantir a integração da sociedade.”
Realmente muitos recursos estão sendo elaborados para garantir a socialização das pessoas, mas que classe social estabelece estas novas formas. Principalmente no que podemos chamar atualmente de núcleo de socialização que é a escola. Quem cria as formas da educação, as regras e métodos educacionais? Os professores são ouvidos e será que os pais podem falar e opinar, e os alunos, onde ficam nesse contexto? Alem de estarem em conflito consigo mesmos, lutam para se auto afirmarem como seres humanos em desenvolvimento, precisam ainda estabelecer o certo em um mundo contrariado pelos conceitos de lógica cultural e histórica. Tudo que veem é verdade mas que transcende a própria realidade. Precisam provar aos seus colegas que são melhores para conseguirem “sobreviver”, e ai começam os conflitos entre a própria geração. Neste meio estão os professores de certa forma perdidos em meio a imagem e a informação “relâmpago”, mostra tudo e informa pouco. Visto atualmente por muitos como um simples conservador da ordem e não mais como detentor do saber. Esse é o educador, ao meio do caos sobrevive com seu trabalhos, conflitos com a própria profissão e muitas vezes com a nova geração que estar por vir. Como dizia ALVES;
Mas professores são habitantes de um mundo diferente, onde o educador pouco importa, pois o que interessa é um crédito cultural que o aluno adquire numa disciplina identificada por uma sigla, sendo que, para fins institucionais. Por isto mesmo professores são entidades descartáveis, da mesma forma como há canetas descartáveis, coadores de café descartáveis, copinhos plásticos de café descartáveis.”
Assim percebe-se que há uma diferença gritante entre o mundo dos alunos, professores e da elite social à qual estabelece a forma de aprendizagem e de viver nesta contemporâniedade. Pode-se então ressaltar que muitos conflitos, ou melhor, brigas entre grupos, tribos urbanas, são desenvolvidos pela própria sociedade que prega a união. O consumo atual não está preocupado em estabelecer uma união global, mas sim estabelecer formas de lucrar cada vez mais, o chamado capitalismo selvagem, realmente existe, ele está ai, todos os dias na vida de jovens e educadores. É essa forma de vida que comete a loucura da diferença e da exaustão de profissionais da educação, aqueles que sonham com uma socialização mais justa e tranquila para todos. Em meio a isso estão os pais que muito cedo delegam aos seus filhos a função de se auto governarem, não por princípios mas na maioria das vezes por necessidades, tanto de trabalho como financeiras. Estes adolescentes buscam então, em seus amigos uma forma de viver e de agir, comportamental e de existência. Firmam-se seres muitas vezes transgressores e violentos, por  defrontarem o saber e a convivência pacífica. Como consta os dizeres de CONSTANTINI;
“ Atualmente os pais confiam muito cedo seus filhos adolescentes ao grupo de colegas. Os pais que trabalham delegam funções demais às instituições parafamiliares. Aos colegas dos filhos que frequentam a mesma escola pediram para que  se tornassem amigos do seu filho e fizessem companhia a eles durante o dia. Assim as crianças crescem juntas, muito próximas, habituadas a fazer companhia e se consolar umas às outras e a compartilhar a alegria de seu crescimento e as saudades da família. Muito cedo se habituam a esperar do grupo de amigos o consolo para sua tristeza e a organização de seu dia, esse longo tempo em que ficam separados dos pais. Então, quando se tornam adolescentes, continuam a fazer isso: para eles é natural pensar que, ao se encontrar com seus colegas, a primeira coisa a fazer é inventar  uma brincadeira para afastar a solidão, a tristeza e o tédio. Acontece, porém, que, ao crescerem, a tristeza e o tédio aumentam: por isso o grupo deve inventar algo novo (ação ou substância), envolvente, estupefaciente.”
Neste conflito de interesses de jovens e adolescentes se encontra toda a sociedade, muitas vezes perdida e farta de tentar comprovar a sabedoria da própria espécie. Conflitos existentes  e provocados pelo próprio modelo de vida estabelecido por cada indivíduo vivente na sociedade contemporânea, alienadora e desenvolvedora de formas vivas de existência.


PETERS, Moacir.

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